segunda-feira, julho 03, 2006
terça-feira, junho 27, 2006
terça-feira, junho 20, 2006
segunda-feira, junho 19, 2006
Burra, nada mais.
Porta entreaberta. Ah, mundo novo! Sobe, desce, voa, gira, piruetas. Ana!? Aqui! Que atração irresistível causam as lâmpadas sobre os insetos, sobretudo aquelas de mercúrio, compridas e brancas. Gabriel? Gabriel? Jonas? Eu! Essa luz deve equivaler a Deus; pode existir então um conflito de identidade? Os insetos não ficam o tempo todo perto de Deus! Acho que não, talvez a luz seja meramente hipnótica e nada mais. Que belo corredor, desce, quase aterra e sobe novamente. Pernas, ombros, cabeças, teto. O toc toc do giz sobre o quadro. Vinícius? Tô aqui! Uma, duas, cinco voltas completas. Energia à tona. Calor ali. Onde está mesmo a porta? Ah, árvores, como não pensou nisso antes. Força total, mil quilômetros por hora. Pá! Os insetos costumam ser burros e míopes. Eles tentariam atravessar uma pintura para chegar à paisagem, o que dizer de um simples vidro? Sobe novamente, desta vez para alcançar a luz mais alta, mais bonita, faiscante, cintilante como uma estrela. Agora, mais forte ainda. Está quase chegando, mais perto, mais perto.... é o fim. A falta de cérebro entre esses seres se confirma nessa triste atitude. Agora caem os restos mortais da mariposa burra, que confundiu ar com vidro, lâmpada com Deus e ventilador de teto com estrela.
*Ela surge quando a imaginação vai lá e já volta.
sexta-feira, junho 16, 2006
quinta-feira, junho 15, 2006

Minha assinatura agora está lá, no cartório de registros. Na hora H, a emoção é tão singular que nem parece que acontece o que está acontecendo. Parece festa, filme. Os olhos lacrimejam, mas a lágrima não escapa. É alegria e emoção. Desespero para tirar fotos da troca de aliança, da expressão no rosto hipnotizado de cada um dos dois. É emoção de rabiscar meu nominho nessa história tão bonita. Meu primeiro casamento. Não o meu, mas um em que eu participo. Tenho certeza de que comecei muito bem.
segunda-feira, junho 05, 2006
quinta-feira, junho 01, 2006
Meta
Layout novo, dia novo, meta nova. Decidi que devo aproveitar melhor algumas horas do meu dia, seguindo o conselho que me foi dado ontem. Para tanto, precisarei sacrificar um hábito que me acompanha há anos. Assistir novelas. Sim, admito, sou uma consumidora compulsiva, embora um pouco menos nos últimos tempos. Esse gosto virou até objeto de estudo em um trabalho da faculdade, e olha que até estudando à noite consegui acompanhar. Mas, daqui pra frente, só sinopse na internet, revista de fofoca e propaganda durante a programação. No começo, vai ser difícil, eu sei, mas a novela das oito já está acabando, a das seis não assisto direito e no horário das sete fico “zapeando” entre um canal e outro. Novelas simultâneas. Mesmo com uma do Maneco despontando pela frente, tentarei me manter firme e seguir minha meta. Nos horários, agora, livres, quem sabe um pouco de cultura e exercício mental. Um curso de espanhol a distância e um bom livro. Meditação, Yoga de revista, trabalhos manuais, novos sites e contatos. Atividades que, de preferência, não incomodem meu bolso furado. Vou tentar. Eu juro.
quarta-feira, maio 31, 2006
Questão crucial da humanidade é desvendada
O professor John Brookfield, especialista em genética da evolução da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, acredita ter resolvido, de uma vez por todas, um dos mais antigos e populares enigmas da humanidade: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Um filósofo e um avicultor britânicos também concordam com Brookfield. Para eles, a resposta unânime é de que o ovo veio na frente, informa nesta sexta-feira o jornal The Times.
Em resumo, o argumento é de que o material genético não se transforma durante a vida do animal. Portanto, a primeira ave que no decorrer da evolução se tornou o que hoje chamamos de galinha existiu primeiro como embrião no interior de um ovo.
Para Brookfield, a situação é clara. O organismo vivo no interior do ovo tinha o mesmo DNA que o animal no qual ele se transformaria. Assim, "a primeira coisa viva que podemos qualificar sem medo de engano como membro dessa espécie é o primeiro ovo", argumenta.
David Papineau, um especialista em filosofia da ciência do Kings College de Londres, concorda. O primeiro frango saiu de um ovo. É um erro, segundo ele, pensar que o primeiro ovo de galinha foi um mutante produzido por pais de outra espécie.
"Se dentro do ovo existe um frango, então é um ovo de galinha. Se um canguru pusesse um ovo, e dele saísse um avestruz, o ovo seria de avestruz e não de canguru", disse Papineau.
O jornal cita ainda Charles Bourns, granjeiro e presidente de uma entidade do setor avícola, que quis contribuir para o debate. "Os ovos existiam antes de nascer o primeiro pintinho. Claro que talvez não se parecessem com os de hoje", disse.
sábado, maio 27, 2006
E eu com medo da dor do aparelho...
(saiu no Popular)
Dentista quebra dentes de paciente após discussão
Um dentista israelense quebrou, a golpes de martelo, os dentes de um paciente com quem discutiu em seu consultório, informou a polícia local, nesta terça-feira.
A vítima foi ao consultório do dentista, cuja identidade não foi revelada, para pedir as radiografias do filho de um amigo. O dentista se negou a dar os exames e os dois começaram a brigar.
Irritado, o odontólogo pegou um martelo e começou a quebrar os dentes do outro israelense.
sexta-feira, maio 19, 2006
Muito além das falanges
- Eu não acredito no que meus olhos estão vendo! - o tempo que o rosto levou para ficar vermelho foi o mesmo que o cérebro precisou para processar a informação e transformá-la em palavras.
- O que aconteceu, papai, senhor meu pai?
- Mas que pouca vergonha! Como se atrevem, bem debaixo do meu nariz! Minha filha! Como pôde!
- Papai, não entendo, o que está acontecendo?
- Margarete, venha cá, veja o que está acontecendo no sofá da nossa sala! Oh, meu Deus, como isso pôde acontecer!
- O que houve, meu marido!
- Nossa filha e esse rapaz!
- Sim, ele é pretendente de nossa menina!
- Pretendente? Pretendente e atrevido! Pois saiba que flagrei os dois sentados lado a lado e, nem sei como dizer, encostando seus dedinhos mindinhos um no do outro!
- Minha filha? Isso aconteceu mesmo?
- Papai, meu pai, não acredito! Nós apenas encostamos os dedos mindinhos, o Roberval nem ao menos pegou na minha mão!
- Mas era só o que me faltava! Aí já é demais! Meu Deus do céu, minha Nossa Senhora Aparecida! Onde este mundo vai parar! - Dizia dando voltas ao redor da mesinha de centro.
- Papai, por favor, já estamos em 1940!
- E isso é motivo para ficarem com essa pouca vergonha aqui na sala?
- Mas...
- Não pode ser, ainda não acredito no que meus olhos viram! Os mindinhos se encostando, se entrelaçando. O dedinho mindinho da minha filha, ela que criamos com tanto cuidado, se enroscando do dedo peludo desse rapagão! Os dedos ali, se enroscando como duas minhocas, um macho e uma fêmea, dois seres se acasalan... Não! Já chega! Estou decidido!
- O que vai fazer papai? O que pretende?
- O que quer fazer meu marido?
- O que o senhor vai fazer, senhor?
- Fique quieto você, rapaz! Ai, meu pai, esse homem perverteu minha filha, tão inocente que era e a pego enroscando o dedo mindinho no dedinho desse um aí! Mas isso não fica assim, não, vai ter que casar!
- Casar?????
- Casar????
- Casar????
- Isso, está decidido, amanhã mesmo vou providenciar os proclames. Ana Lúcia, minha filha, você agora é noiva do... do...
- Roberval, senhor, me chamo Roberval.
- Fique quieto, já disse!
- Mas, senhor, não aconteceu nada!
- Ah, não me venha com desculpas! Depois de ter desonrado minha filha, agora quer escapar à responsabilidade!
- Mas, senhor...
- Nada de mas, está decidido. Vocês vão se casar o mais rápido possível, não posso admitir filha minha entrando na igreja de barriga.
- Papai, mas não aconteceu nada!
- Não aconteceu nada? Hã? Pensa que eu não vi? Os mindinhos, minha filha, os mindinhos! Que pouca vergonha, que decepção!
- Meu marido, não está sendo precipitado?
- Quietos os três. Você, Ana Lúcia, vá para o seu quarto e troque de roupa, coloque algo mais adequado. Você, minha esposa, quero que vá até nosso quarto e traga o anel que foi de sua mãe, esse rapaz há de assumir o compromisso hoje mesmo.
- Senhor, eu ainda sou muito novo!
- Agora é tarde. O estrago já está feito. Fique aí e espere.
Passados alguns minutos, a menina, em prantos, retorna à sala.
- Venha, filha, fique do lado do seu futuro marido. Rapaz, pegue o anel e repita tudo o que eu disser! Diga: Ana Lúcia, quero que aceite este anel...
- A-A-Ana Lúcia, que-quero que açaçaceite este anel...
- Como prova de meu amor...
- Como pe-pra-prova de meu amo-mor...
- Para ficarmos juntos para o resto de nossas vidas, ou você para de gaguejar ou vai levar chumbo. Margarete, alcance minha espigarda!
- Ai, ai, ai..
- Vamos, repita!
- Para ficarmos junto-tos para o resto de nossas vi-vidas...
- Vá, enfie o anel no dedo dela, no anelar, prete atenção, no anelar...
- Sim, senhor...
- Pronto! Agora você já está noiva minha filha! Consegui consertar tudo! Amanhã mesmo vou marcar a data na igreja. Graças a Deus, ontem, pura, agora há pouco, desonrada, mas, graças a mim, o estrago foi arrumado.
Depois de sete segundos, os mais longos de sua vida, o rapaz desmaiou. E não acordou mais. Roberval, que tinha sérios problemas cardíacos, herança da família do pai, não suportou a emoção tamanha e desabou no tapete azul floral da sala. Acabara ali o noivado mais rápido de que se tivera notícia restando apenas Ana Lúcia, menina sardenta dos olhos verdes e cabelos cor de mel, mãe do mindinho e víúva do marido que foi, sem nunca ter sido.
quinta-feira, maio 18, 2006
"Ô, moça, moçaaaaa, vem qui!"
E ela atravessou a rua sem mover a cabeça para o lado.
"Ô moça, vem qui, moça, ô moooça", disse o mesmo rapaz de aparência estranha vindo em minha direção.
Passei reto. Também sem mover a cabeça para qualquer lado. Nem para trás, mesmo depois de uma distância segura.
Nessas horas, ainda mais nos dias de hoje, admito que a solidariedade fica meio de lado.
terça-feira, maio 16, 2006
Achei muito pertinente o texto de Mário Bortolotto. O restante dele está neste link, só que tem que procurar um pouco pra baixo. Pra quem tem senha da uol, entre neste, que entra direto.
